Desventuras pela Europa – Capítulo 5 – Keukenhof

O post de hoje é, na verdade, um vídeo. Tive a experiência maravilhosa de conhecer Keukenhof, o parque das tulipas na Holanda. É considerado, inclusive, o jardim da Europa. Keukenhof está localizado há 30/40 minutos do centro de Amsterdã e é um dos principais atrativos do país. Mesmo para uma pessoa que não é fã de natureza, não tem como não se apaixonar pelo lugar. Além de lindo, é extremamente limpo e organizado. Caso tenham interesse em saber como é o parque, preços e como chegar ao atrativo, disponibilizei um vídeo contando todo o passeio. Garanto lindas e impactantes imagens.

Tot ziens!

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Desventuras pela Europa-Capítulo 4 – Leeuwarden,meu lar na Holanda!

Esse deveria ser o segundo post desta série, mas admito que a preguiça e a falta de inspiração fizeram eu postergar minha tarefa. Entretanto, os últimos dias de sol e calor me deram um novo fôlego para escrever sobre o lugar que vem me conquistando aos poucos. Desta forma, no texto de hoje gostaria de apresentar Leewarden, minha cidade pelo próximo ano na Holanda. Com quase 100 mil habitantes, Leeuwarden é a capital da província da Frísia, região situada no noroeste do país. Está localizada há pouco mais de duas horas de Amsterdã e é aquele lugar com carinha e jeitinho de interior que, a partir de sua rica história e cultura, foi nomeada, juntamente com Valeta, em Malta, Capital Europeia da Cultural em 2018. A própria Frísia, ou Friesland (em holandês) é um caso a parte, pois tem uma cultura e língua própria, o Frísio. É uma província com pouco mais de 600 mil habitantes que possui um povo mais aberto, amistoso e muito orgulho de sua origem.

Neste post contarei brevemente sobre os principais edifícios e atrativos do cidade.

O principal símbolo de Leeuwarden é a Oldehove, uma torre com quase dois metros de inclinação construída no século XVI que, devido à instabilidade do terreno se transformou na Pisa Holandesa. A história da Torre é muito interessante, pois neste período Leeuwarden se tornava a capital da Frísia e queria mostrar sua importância construindo uma grande catedral no lugar de uma igreja já existente; esta catedral deveria ter a torre mais alta da Holanda. No entanto, logo no início da construção foi possível perceber que a estrutura começou a cair e depois de tentativas frustradas para corrigi-la, a obra foi completamente abandonada. Caso tenham interesse, é possível entrar na torre e subir os 183 degraus até seu topo, ou simplesmente pegar o elevador. A partir da torre tem-se uma vista de parte da cidade e de seu entorno. Deem uma olhada na construção.

O segundo edifício mais importante de Leeuwarden é De Waag. Construído em 1595 em estilo renascentista, servia como um local para a pesagem de mercadorias antes de vendê-las ao mercado. Foi usado principalmente para pesar laticínios como manteiga e funcionou até 1880. Hoje sedia um café chamado Stadsterras. O edifício está estrategicamente construído em frente a um canal na Niewestad, a principal rua comercial da cidade com cinemas (sim, Leeuwarden tem dois cinemas!), cafés estilosos e lojas como C&A, Hema, Etos, Zara e H&M. Abaixo disponibilizei fotos do De Waag e da charmosa Niewestad.

Outro orgulho de Leeuwarden é o Blokhuispoort, uma antiga prisão que se tornou um espaço multicultural. Foi originalmente construída pelos saxões no final do século XV como uma fortaleza. No século XVI foi transformada em uma prisão e funcionou com tal propósito até 2007 quando o edifício foi oficialmente fechado. O espaço foi reestruturado e reaberto há poucos anos; conta com uma livraria estilosa e completíssima, café e restaurante que estão entre os mais descolados da cidade; uma feira de artesãos e um hostel temático. Caso tenham interesse em mais histórias sobre a prisão em si, há visitas guiadas com os antigos guardas todos os sábados às 14:00 e 16:00. O passeio custa € 10 e inclui uma bebida no Café de Bak. Deem uma olhada na fachada do Edifício.

Na mesma rua da antiga prisão encontram-se outros edifícios importantes como a Casa da Província, o antigo prédio do Correio, hoje transformado em um hotel de luxo e um dos mais estilosos restaurantes da cidade e a Chancelaria. A Chancelaria (Kanselarij em holandês) foi o tribunal da Frísia por quase 300 anos. Construído em 1566, é considerado um dos edifícios mais bonitos de toda a Holanda e é cheio de detalhes e simbolismo. Hoje é um espaço destinado ao empreendedorismo.

Ainda no centro da cidade, outro edifício importante é a antiga Prefeitura. Construída sobre as ruínas do palácio Auckamastins, este edifício do século XVIII em estilo Louis XV ainda é usado como gabinete do prefeito e dos vereadores. Logo em frente à Prefeitura localiza-se o antigo Palácio Real, hoje transformado em um Hotel. Deem uma olhada na fachada da antiga Prefeitura.

A cidade de Leeuwarden conta com vários museus que abordam diversas temáticas, mas o maior e mais importante deles é o Fries Museum. Ele trata sobre a Frísia e oferece um acervo com objetos escavados de antigos montes frísios e talheres dos séculos XVII e XVIII. Há itens sobre Mata Hari, a bailarina exótica mais famosa da Europa no início do século XX que nasceu em Leeuwarden e foi condenada a morte ao se tornar uma espiã alemã; obras de pintores consagrados e artistas frísios do século XX, arte e design contemporâneo. Caso tenham interesse o ticket custa € 20.

Outro museu que vale a pena visitar se vocês gostam de arte é o Museu Nacional de Cerâmica Princessehof. O local possui a maior e mais variada coleção de porcelanas chinesas dos Países Baixos, peças de Picasso, além de uma coleção de cerâmicas holandesas Art Nouveau e Art Déco do período 1880 a 1930 (que eu perdi o fôlego!). Além do acervo interessante, o museu está localizado em um palácio do século XVIII no qual serviu como residência de Maria Louise van Hessen-Kassel, um personagem importante para a Frísia e para a monarquia europeia atual. A visita ao Museu custa €12,50.

Eu ainda poderia escrever sobre as Gasthuizen, os canais e sobre tantas outras particularidades da cidade, mas vou terminar meu post com alguns edifícios e momentos especiais em Leeuwarden. De certa forma é muito difícil para uma urbanoide como eu estar tão longe dos grandes centros, mas meu coração está tão cheio de amor por este pedacinho tão charmoso, cheio de gente com um sorriso no rosto e que faz um esforço para me entender, que nem o vento de 70 quilômetros por hora, as chuvas que não dão trégua e as bicicletas que nunca respeitam os pedrestes tiram o brilho do lugar.

Caso tenham interesse em saber mais sobre a cidade, assistam o vídeo no Youtube. Preparei-o com todo amor e é o único vídeo de Leeuwarden disponível na língua portuguesa e há alguns cantinhos no vídeo que não destaquei no texto.

Encontro vocês nas próximas aventuras.

Tot Ziens!

Desventuras pela Europa – Capítulo 3 – Visitando o Drácula (Romênia)

Quando viajei para o meu estudo pós-doutoral na Holanda em fevereiro, fiz uma lista de lugares que eu gostaria de conhecer durante este período na Europa e Bucareste na Romênia era um deles, pois queria visitar um lugar novo e estou muito interessada no Leste Europeu, só não sabia que a visitaria tão rápido. Para quem sabe muito pouco sobre a Romênia, o país é uma república semipresidencialista, quer dizer, tem um primeiro ministro e um presidente. Está localizado no centro-sudeste da Europa, próximo de países como a Hungria, Bulgária e Ucrânia e possui pouco mais de 20 milhões de habitantes. Lidou com o domínio otomano, viveu um regime monárquico, lutou durante as duas grandes guerras, enfrentou décadas de comunismo e hoje tem orgulho de ser uma nação tentando trilhar seu próprio caminho, mesmo não tão entusiasmada com seus políticos. É um país laico, no entanto a população é majoritariamente cristã ortodoxa (mais de 90% dos romenos). Por questões religiosas são conservadores e tem como idioma oficial o romeno, uma variação das línguas latinas que se assemelha ao Italiano. A capital é Bucareste, maior cidade do país; também considerada a capital cultural, industrial e financeira da Romênia. Não sabia, mas a cidade também é muito conhecida pela vida noturna e pelo turismo sexual (sim, quando soube disso fiquei me perguntando o que eu estava fazendo por lá!), principalmente por turistas israelenses e italianos, mas recebe cada vez mais turistas internacionais motivados por negócios, eventos, história e cultura. Mesmo com essa fama de ser uma cidade noturna, destaco que Bucareste é uma das capitais mais seguras da Europa. Por fim, a Romênia faz parte da Comunidade Europeia, mas não utiliza o Euro como moeda oficial, e sim o Leu (RON). A cotação do Leu é de 1 EUR 4.5 RON (abril de 2019).

Vou contar minha viagem pelos dias, pois assim mostro de forma mais sucinta todos os atrativos que visitei. Fui à Bucareste de avião; optei pela companhia KLM pelo simples fato de ter voos diretos e horários amigáveis saindo de Amsterdã. E foi logo no começo da jornada que percebi o perrengue de morar no interior da Holanda. Madruguei, corri até a estação de trens, fiz um longo percurso de comboio ao Aeroporto Schiphol, o maior terminal aeroportuário do país e depois de longas filas nos setores de segurança e imigração, finalmente embarquei para Bucareste. Enfim, percebi que realmente não é fácil fazer uma viagem ao exterior morando tão longe de tudo. O aeroporto de Bucareste (Aeroporto Internacional Henri Coandă) é grande e moderno. Ele é conectado às diferentes regiões da cidade por ônibus públicos e táxis. O trecho de ônibus do Aeroporto ao centro da cidade custa 8.60 RON, mas leva uma eternidade, em torno de uma hora. O táxi é mais rápido, mas muito mais caro, cerca de 68 RON. Primeira dica de viagem: Chegando em Bucareste, troque um pouco de dinheiro em uma casa de câmbio no próprio aeroporto, pois os estabelecimentos romenos não recebem moedas estrangeiras e o sistema de transporte, seja táxi ou ônibus, não aceita cartão de crédito internacional. As tarifas das companhias de câmbio no aeroporto são as piores possíveis, mas troquem pelo menos o necessário para chegar ao centro da cidade.

A hotelaria de Bucareste é muito boa e variada e por ser uma cidade barata para os padrões europeus, é possível conseguir ótimas opções por preços amigáveis. Estava muito disposta a reservar um hotel boutique próximo ao centro da cidade, mas de última hora escolhi o Hilton Garden Inn Bucharest Old Town. Localizado na parte mais antiga da cidade, o Hotel foi recém inaugurado, portanto tudo novinho. Bons ambientes, ótima localização, café da manhã completo incluído na diária e o melhor de tudo, ganhei um upgrade de categoria sem custo adicional. Ele é bem padronizado, ao estilo Hilton, mas mesmo assim, achei muito bom. Segue abaixo algumas fotos do empreendimento.

1º. Dia

Esse era um dia reservado para o tour pela cidade e aproveitaria o tempo para visitar os principais museus, mas depois de uma conversa sincera com o taxista que me levou ao centro e com a recepcionista do Hotel, decidi comprar um passeio para conhecer o interior da Romênia. Comprei uma excursão de um dia que visitava os castelos mais famosos do país, incluindo o Castelo de Peles. Localizado na região de Sinaia, o Castelo é uma edificação lindíssima do século XIX que serviu como residência da família real romena. O lugar é lindo e apesar de ser relativamente pequeno, é um dos castelos mais encantadores que eu já vi. Foi a edificação mais moderna de sua época com sistema de ventilação, calefação, rede elétrica e telefônica em pleno século XIX. Além disso, tem um cinema, o primeiro de toda a Romênia, decorado com pinturas de Gustav Klint. Segue algumas fotos da fachada e do interior do Castelo.

Visitamos também o Castelo de Drácula, na Transilvânia, uma construção medieval que sofreu várias modificações durante os séculos, mas que serviu de inspiração para o romance Drácula, escrito pelo autor irlandês Bram Stocker.

E finalizamos o dia visitando a cidade de Brasov, a segunda maior cidade da Romênia com mais de meio milhão de habitantes. Conhecida também como uma cidade universitária, o centro de Brasov é tombado como patrimônio histórico arquitetônico.

O pacote custou € 80, preço médio entre as empresas que oferecem o mesmo tour. Valeu super a pena, pois é possível conhecer o interior da Romênia cercado de tradições, lindas paisagens e muita história. Minhas únicas recomendações são: Tenham em mente que é uma excursão de um dia completo, portanto é extremamente cansativa. Também é importante saber que a região de Sinaia é cheia de montanhas, portanto é MUITO fria. Podíamos ver o gelo no chão em plena primavera. Voltei à Bucareste no final do dia acabada, só pensando na minha cama.

2º. Dia

Hoje foi dia de fazer os programas por Bucareste. Pela manhã participei de um free walking tour pelo centro da cidade. Optei pelo tour Bucharest Free Tour Old Town Legends & Stories, oferecido pelo site FreeTour.com. Sempre faço esse tipo de tour e o conceito é basicamente o mesmo; o guia oferece o melhor tour que ele pode e você decide quanto vale o passeio. O tour sai todos os dias às 10h30 e às 15h da da Manuc’s Inn e é necessário uma pré-reserva antecipada sem custos na homepage da empresa. Durante o trajeto de quase três horas, passamos pelos seguintes locais: Manuc´s Inn, Monastério Stavropoleos, as ruínas da fortaleza de Drácula, Banco Nacional da Romênia, Museu de História e a Estátua Romana do Lobo, Oriental style inns, Russian Church, University Square, Macca Villacrosse Passage, Palácio CEC e Rua Lipscani. O tour foi muito legal e nossa guia Maria era ótima! Recomendo muito! Segue abaixo fotos do Monastério (fachada e interior), do Palácio CEC e Macca Villacrosse Passage.

Saindo do passeio peguei um metrô rapidão, pois queria muito conhecer o Muzeul Național al Satului Dimitrie Gusti, também conhecido como Village Museum. É um museu a céu aberto situado no Parque Herăstrău, o maior parque urbano de Bucareste. Foi inaugurado em 1936 e apresenta 360 monumentos dos séculos XVII ao XX recolhidos de diferentes regiões da Romênia que mostra a arquitetura, história, cultura e tradições romenas. São casas, igrejas de madeira e instalações industriais, que incluem oficinas, moinhos de vento e algumas instalações hidráulicas. Maravilhoso, maravilhoso! Mesmo em um dia chuvoso, fiquei completamente encantada pela atmosfera do lugar e recomendo demais o passeio. O ingresso custa 15 RON.

E se preparem para a overdose de fotos, pois não resisti.

E assim terminou minha viagem. Voltei ao Aeroporto de ônibus dando adeus a cidade e ao meu primeiro roteiro internacional nesta nova jornada europeia.

A Romênia é muito diferente do que eu imaginei. Não achei o país tão encantador com a Polônia, a Croácia e a Hungria. E Bucareste certamente não é tão bonita como Budapeste e Varsóvia. Há lugares realmente encantadores, mas também há caos e confusão que trazem uma mistura desconexa à cidade. Os romenos são, em grande maioria, pessoas espalhafatosas, que falam alto, gostam de música alta e de gosto duvidoso e muito bons de papo. Gostam de boa comida, preparadas a base de muita carne e tempero; são muito apegados às tradições e tem muito respeito à sua própria cultura.

Outro país conhecido e outro novo mundo descoberto. Senti-me muito grata durante toda a viagem pelo privilégio de conhecer um lugar que nunca imaginaria conhecer e muito feliz de poder saborear cada nova experiência com a maturidade de alguém que aceita e respeita o próximo e as diferenças. Agora é hora de explorar novos lugares e espero que me acompanhem nestas jornadas, pois há muito destinos diferentes na minha cabeça.

Assim como tenho feito nos últimos posts, fiz um vídeo sobre a viagem no qual mostro imagens inéditas da aventura e falo um pouco mais sobre minha experiência. Este vídeo é especial, pois é o primeiro na qual edito sozinha, portanto relevem os erros de principiante e curtam a Romênia de um a forma mais pessoal. 

La revedere!

Desventuras pela Europa – Capítulo 2 – Groningen

Hallo!

Minha primeira parada nesta jornada holandesa foi em Groningen, a cidade mais jovem da Holanda. Caso tenham interesse em conhecer mais sobre a Holanda e descobrir que o país é muito mais que Amsterdã, fiz um vídeo contando sobre a maior cidade do norte holandês. Groningen é a capital da província com o mesmo nome e sedia uma das principais universidades do país. Meu holandês ainda tá feio, então não reparem no sotaque, mas estou me esforçando. Prometo que dessa vez não fiz nenhum longa metragem; o vídeo está curto e com uns toques de turismóloga atacada.

Doei! 

Desventuras pela Europa – Capítulo 1 – Morando na Holanda!

Hoje começa mais uma série sobre as viagens que farei no período de um ano, como fiz durante meu doutorado sanduíche na Alemanha. Se preparem, pois vou escrever e postar muito material neste tempo! Para aqueles que ainda não sabem, sou professora de Turismo, especialista em Meios de Hospedagem, Doutora em Administração e apaixonada por viagens. Estou na Holanda realizando meus estudos de pós-doutorado na área de Sustentabilidade e Hospitalidade no programa International Hospitality Management (IHM) da Stenden Hotel Management School. A Stenden Hotel Management é uma das principais escolas internacionais de gestão hoteleira da Europa (Study in Holland, 2015) e é um exemplo de boas práticas sustentáveis. A escolha pela Holanda foi fácil. É um país consolidado no mercado global como destino turístico, no qual o Turismo representa 5,2% do PIB (dados de 2016) (WTTC, 2017). Oferece um setor hoteleiro maduro e competitivo, realidade que se deve à alta qualidade no ensino em cursos relacionados à hospitalidade, à diversidade de empreendimentos hoteleiros e à presença de grandes redes hoteleiras nacionais e internacionais. Tenho certeza que será uma experiência maravilhosa e quero compartilhá-la com vocês! Para começar fiz um vídeo explicando um pouco mais sobre a Universidade, mostrando sua estrutura e a moradia estudantil. Se é um assunto que lhes interessa, deem uma olhada.

Acompanhem as próximas aventuras.

Doei! 

Cruzeiro pelo Caribe (Curaçao, Aruba, St. Kitts and Nevis e St. Thomas)

Há muitos anos atrás fiz um cruzeiro pelo litoral brasileiro. Na ocasião, embarquei em Santos e por uma semana visitei Búzios, Rio de Janeiro, Ilhéus e Salvador. O mercado de cruzeiros no Brasil estava em franca expansão e muitas companhias internacionais ofereciam trajetos a preços atrativos e com condições de pagamento favoráveis. Devo admitir que por mais que eu tenha aproveitado a viagem e aprendido muito, fiquei um pouco decepcionada com a experiência em si. Primeiramente porque a infraestrutura portuária brasileira era precária, situação sem melhorias significativas nos últimos anos; não o achei glamoroso como vemos nos filmes; a comida, por mais que fosse farta e diversificada, era insossa; e o navio, mesmo oferecendo atividades variadas para todas as faixas etárias, não havia atendido completamente minhas expectativas. Assim, por muitos anos evitei este tipo de passeio, pois temia me decepcionar novamente. No entanto, ainda na saga “Conheça a América” e planejando fazer algo diferente em 2019, dei uma nova chance aos cruzeiros. Desta vez estabeleci algumas pré-condições, até como forma de comparar com a minha experiência anterior: (I) gostaria que fosse um roteiro internacional; (II) em um navio da Royal Caribbean International, uma das maiores e mais conhecidas empresas de cruzeiros do mundo, e (III) que tivesse diferentes paradas durante o roteiro. Após procurar diversas opções, achei uma que atendia os requisitos, o Freedom of the Seas pelo sul do Caribe, saindo de San Juan, Porto Rico. Por um lado, o valor cruzeiro era muito bom, quando comparado àqueles com saída em Miami ou Fort Lauderdale, no sul da Flórida, Estados Unidos; no entanto, por outro, a economia que eu faria com o preço total do cruzeiro eu gastaria na passagem aérea para chegar à Porto Rico. Mesmo assim, embarcamos nesta aventura, literalmente.

Não há voos diretos do Brasil para Porto Rico. Para chegar à Ilha é necessário fazer conexão em algum outro destino. No ano passado viajamos para San Juan com a United Airlines e realizamos a conexão nos Estados Unidos, conforme contei neste post. Nesta viagem, optamos pela Copa Airlines com conexão no Panamá. Admito que a Copa não é a melhor empresa aérea da América Latina, mas a conexão no Panamá foi muito mais rápida e prática, portanto foi a melhor escolha, além de ser a mais econômica.


Abaixo contarei cada uma das nossas paradas e ao final descreverei um panorama geral sobre o navio e minha experiência como um todo.

Curaçao
Nossa primeira parada. É uma ilha localizada próxima à Venezuela; é um território independente, mas membro constituinte do Reino da Holanda. Sua capital é Willemstad, a moeda é o Florim e as línguas oficiais são o holandês e o papiamento (língua nativa que mescla vários outros idiomas e dialetos). Chegamos ao porto de Willemstad no começo da manhã e passamos o dia no destino. Durante nossa estada negociamos com um táxi um tour privado para a região oeste da Ilha, onde dizem ter as praias mais bonitas e de água mais quente. É distante de Willemstad, mas vale a pena. Visitamos Kenepa Grandi e Kenepa Chiki. Kenepa Grandi me encantou, deem uma olhada!

Voltando ao sul, visitamos Kokomo e terminamos o tour em Blue Bay, ambas próximas à Willemstad. Blue Bay, em minha opinião, é a praia com a melhor infraestrutura para o turista. Segue abaixo uma foto da praia de Kokomo e outra de Blue Bay.

Almoçamos em Punda, um dos bairros históricos de Curaçao no qual percebe-se a mistura da arquitetura holandesa com as cores do Caribe. Passamos a tarde explorando o comércio local.

Curaçao é um lugar realmente multicultural; cheio de lindas praias e tempo ensolarado. Ao meu ver, o único ponto negativo são as pessoas, pois a maioria dos comerciantes foi indiferente, beirando a má educação. Fiquei impressionada, pois não é um comportamento comum para uma Ilha na América Central, região conhecida pela hospitalidade e um destino que sobrevive em grande parte do turismo, mas em resumo foi ótimo!

Aruba
Nossa segunda parada foi em Aruba, outra ilha próxima à Venezuela e que, apesar de ser um território independente, também faz parte do Reino da Holanda. Descoberta e ocupada em 1499 por exploradores espanhóis, o território foi adquirido pelos Países Baixos em 1636. Sua capital é Oranjestad, a moeda local é o Florim e as línguas, assim como em Curaçao, são o holandês e o papiamento. No entanto, os moradores também falam Inglês e Espanhol. Na verdade, eles têm grande familiaridade com o espanhol. Chegamos ao porto de Oranjestad no começo da manhã e passamos o dia no destino. No Porto compramos um tour com uma excursão para conhecer grande parte da Ilha; o passeio custou US$ 20 por pessoa e em um período de quase três horas visitamos Casibari, formações rochosas compostas de diorito de quartzo, conforme foto abaixo.

Visitamos também a Capela Alto Vista, o Farol Califórnia e passamos pelas praias de Boca Catalina, Arashi e Palm Beach, esta última é a região mais comercial da Ilha. Terminamos o passeio com uma visita a Eagle Beach, a praia abaixo.

O passeio valeu super a pena, pois tivemos uma ideia da dimensão, características e principais atrativos da Ilha. No período da tarde, exploramos os shoppings e o comércio local. A cidade de Oranjestad tem um comércio mais interessante que Willemstad e mesmo que não passe uma sensação de autenticidade, é uma cidade muito bem cuidada. Gostei muito e gostaria de ter ficado mais dias.


Agora o roteiro começa a ficar engraçado, pois as próximas duas paradas foram em ilhas que eu nunca tinha ouvido falar e nem sabia que estavam no roteiro. Isso que é uma pessoa antenada!

St. Kitts and Nevis
Depois de um dia de navegação, nossa próxima parada foi em St. Kitts and Nevis. Também conhecida como São Cristóvão e Névis, foi colonizada pelos ingleses no século XVII; sua capital é Basseterre e apesar de ser um território soberano, faz parte da comunidade do Reino Unido. A moeda local é o Dólar do Caribe Oriental (achei um dos nomes mais estranhos que já escutei!) e a língua oficial é o Inglês. Assim como em Curaçao, ao chegar ao Porto negociamos um tour privado com um táxi que nos levou a Frigate Bay, uma das praias mais famosas da Ilha, propícia para esportes aquáticos como jet-ski, passeios de fragata, caiaque e banana boat. A Praia é muito fraquinha e o melhor foi a tostada que eu levei! Essa curitibana que não usa protetor solar é fogo…

No entanto, a Ilha me surpreendeu, pois ela tem uma fauna mais rica que as duas primeiras paradas e é muito bem cuidada. Após a visita à Praia conhecemos o centro da cidade. Basseterre parece uma típica cidade colonial britânica com casas de madeira coloridas. É um lugar muito simples, mas com um certo charme. No entanto, o comércio de rua é, em parte, informal e desorganizado. Segue uma foto da avenida central de Basseterre.

Visitamos, ainda, a Independence Square, a principal praça da cidade onde está localizada a Igreja da Imaculada Conceição. Na Praça fui mordiscada por um macaco de estimação e saí de lá traumatizada…. Segue abaixo uma foto da Praça.

St. Thomas

A última parada do navio faz parte das Ilhas Virgens do Mar do Caribe. Foi colônia dinamarquesa, mas hoje é território estadunidense. Sua capital é Charlotte Amalie, a moeda corrente é o Dólar americano e a língua oficial o Inglês. É outra ilha pequena como St. Kitts, mas com uma rica e abundante fauna. Chegamos ao Porto no começo da manhã e tomamos um táxi para conhecer Magens Bay, que, segundo a National Geographic, é uma das 10 praias mais bonitas do mundo. A Praia é realmente muito agradável e o mar é de um azul turquesa profundo. Como faz parte de um Parque, é cobrada uma taxa de US$ 5 para a visitação. Mas o local oferece mesas, bares, banheiros, quer dizer, é bem estruturada. Deem uma olhada.

Os táxis em St. Thomas são um capítulo à parte, pois se assemelham a uma lotação brasileira. Não é um transporte privado. É engraçado e confuso no começo, mas um pouco chato, pois só parte em direção ao destino final quando estiver lotado.

Voltamos ao centro da cidade e passamos pelo Fort Christian, uma edificação do século XVII.

A cidade de Charlotte Amalie também é conhecida pelo turismo de compras, principalmente pelas joalherias que não cobram imposto, mas passamos muito rápido por esta parte que lembra ligeiramente Bassaterre em St. Kitts. Após nossa ligeira passagem pelo centro da cidade, voltamos ao navio para aproveitar nossa última noite à bordo.

Assim terminou meu primeiro cruzeiro internacional e acho que devo fazer várias considerações. Ainda há um grande número de brasileiros que sonham em fazer um cruzeiro, mas que tem a falsa impressão de que é um passeio muito caro. Se vocês analisarem que o cruzeiro inclui a hospedagem, a alimentação, o uso das áreas sociais com piscinas, jacuzzi, academia, balada, cassino, todos os shows e etc., perceberão que o custo/benefício é muito bom, mais barato que vários destinos brasileiros, inclusive que os resorts.

 

Uma das grandes vantagens é que no cruzeiro vocês têm a possibilidade de conhecer vários destinos em uma mesma viagem. Sob este ponto de vista, vale a pena fazer uma cotação de roteiros e preços. Em nosso caso, foi mais caro a passagem aérea para San Juan, onde embarcamos no navio, que o cruzeiro em si. No entanto, ao final, a viagem foi mais barata que muitos outros destinos que incluem apenas a hospedagem. Há outras pessoas que tem medo de passar mal durante o cruzeiro. Devo admitir no meu primeiro cruzeiro tive uma indisposição na última noite devido ao forte balanço do mar. Na verdade, todos os membros da minha família passaram mal em algum dia do passeio. Já nesta segunda oportunidade, sentia o navio mexer o tempo todo, mas tirando a estranheza inicial, não senti nenhum tipo de desconforto. Caso vocês sejam mais sensíveis, recomendo que levem um remédio de enjôo e não se preocupem, pois o navio tem uma equipe médica completa e extremamente preparada para atender este tipo de situação. Algumas outras pessoas tem medo de estar em um navio, pois não sabem nadar. Vale destacar que os navios de grande porte são extremamente seguros e antes mesmo de sair do porto, todos os passageiros, TODOS MESMO, juntamente com os tripulantes, fazem um breve treinamento de segurança, portanto, não é um ponto que devam se preocupar. Ao fim, o Freedom of the Seas me trouxe boas surpresas. O enxoval das cabines era extremamente confortável e dificultava a minha vida, pois não queria sair da cama por nada. Os espetáculos foram maravilhosos, tanto aqueles no estilo Broadway, que nem eu sabia que gostava tanto, quanto os shows musicais e a patinação no gelo. Me diverti horrores no karaokê, mesmo não sabendo nenhuma letra em Inglês. Bati meus próprios recordes na academia, mas o ponto alto do Navio, para mim, foi a comida. Como havia relatado no começo do post, minha primeira experiência gastronômica em um cruzeiro não foi das melhores. No entanto, no Freedom of the Seas experimentei pratos deliciosos, muito bem temperados e que atendiam a todos os paladares. Segue abaixo uma foto da estrutura do restaurante central.

Portanto, agora tenho mais uma nova história para recordar e já estou pronta para novas aventuras. Caso tenham interesse em acompanhar toda a aventura pelo Youtube, fiz um vídeo contando toda a jornada, inclusive mostrando a estrutura do navio e dica para os passageiros pão duros. Deem uma olhada!

Zie je later!

Os números de 2018

Sempre que possível faço um post trazendo uma retrospectiva do ano, um momento mais introspectivo no qual avalio as conquistas, os desafios e o que ainda há por vir. Apesar de vocês verem em todos os posts uma Vanessa pleníssima, feliz e realizada, acho importante contar que 2018 não foi um ano fácil (tenho a impressão que não foi para ninguém!). Para mim foi um ano solitário, de muitos desafios pessoais e principalmente profissionais; de incertezas e de angustias, de crises e questionamentos, e, por mais que as viagens me trouxessem um novo fôlego e uma nova perspectiva sobre a vida, o ano foi emperrado e pesado. Por outro lado, não posso deixar de destacar as conquistas de 2018. Este ano meu blog teve o maior número de visualizações de toda a sua história, 35% a mais que minha melhor marca. Eu comemoro cada pessoa que acessa aos meus posts, cada novo inscrito e cada comentário (mesmo aqueles indelicados que faço questão de deletar), pois sempre foi um hobby, visto e levado de uma forma orgânica e amadora, portanto fico muito feliz quando vocês sentem o amor que eu coloco em cada um dos meus relatos. O mais interessante é que mesmo que eu escreva todos os textos em Português, em 2018, 54% dos meus leitores estavam em países estrangeiros, provenientes de 69 diferentes nações. É surreal pensar que há pessoas de locais tão distantes como a Macedônia, o Uzbequistão ou a Finlândia prestigiando seu trabalho. E o post mais acessado e elogiado foi o da Polônia (segue o link caso tenham interesse em lê-lo), outro grande orgulho, pois é um dos posts mais bonitos que eu já escrevi, apesar de ser quase um livro.

Esse ano também criei um canal no Youtube, o Vanessa´s Diaries, (deem uma olhada neste link), mostrando um pouco das viagens, como um complemento ao blog. Ainda é muito pequeno, sou muito tímida para falar, uso apenas meu celular durante as filmagens, mas é outro veículo no qual dedico todo o meu amor e espero que cresça aos poucos.

2018 me presenteou com muitas viagens (e com um rombo danado na conta bancária, fiz e ainda faço um malabarismo financeiro danado!); tive a oportunidade de voltar ao Chile após 20 anos e de realizar duas viagens dos sonhos, uma para o sudeste americano, onde visitei Charleston e Savannah e outra para Assunção. Para fechar o texto, gostaria de contar que o final de 2018 me trouxe uma surpresa, um novo desafio. Começo em 2019 um novo capítulo da minha vida, pois estarei realizando meu pós-doutorado na Stenden University na cidade de Leeuwarden, no noroeste da Holanda. Admito que estou muito ansiosa, perdida, mas espero que seja um ano especial, cheio de felicidade e conhecimento e posso garantir para terão muitas viagens bacanas e estarei compartilhando todas essas experiências por aqui. Desta forma, gostaria de agradecer o carinho, a paciência, por acompanharem minhas andanças e por torcerem por mim. Espero que 2019 seja um ano da virada para todos nós.

Feliz Ano Novo!