Desventuras pela Europa – Capítulo 11 – Oslo

O post de hoje é sobre uma das surpresas da temporada; Oslo, capital da Noruega. No mês anterior visitei a Finlândia e fiquei entusiasmada com a beleza e organização do país, pensei, portanto, que deveria expandir minhas experiências nórdicas e visitar Oslo.

Para quem não sabe nada sobre a Noruega, o país está situado no norte da Europa; possui algo em torno de 5,5 milhões de habitantes e é considerado uma das nações mais seguras e com a melhor qualidade de vida do mundo. A língua oficial é o Norueguês, além de outras duas línguas minoritárias, e a moeda local é a Coroa Norueguesa (€ 1 NOK 9,70). O país não faz parte da União Europeia, mas tem um tratado de livre comércio com o Bloco. Oslo está localizada no sudeste do país e foi estabelecida no século XI. Com quase 700 mil habitantes, é conhecida como uma capital verde, pois 60% de seu território é coberto por florestas e parques e é onde ocorre a entrega do Prêmio Nobel da Paz.

Cheguei a Oslo pelo Aeroporto Oslo Gardermoen; maravilhoso, um dos melhores que eu já conheci, mas que está localizado longe do centro da cidade. Para conectá-lo ao centro há  uma estação de trens  no próprio aeroporto com saída de comboios em direção à estação central a cada 10 minutos (trajeto de quase 30 minutos, em média). O ticket custa NOK 105 para trens comuns e NOK 140 para trens expressos (o preço foi uma facada no coração logo na chegada!). A diferença de tempo no trajeto entre os dois  é mínima (alguns minutos), mas o trem expresso é mais cômodo, pois não há muvuca de passageiros. Peguei o trem comum e achei-o bem ok, não acho que valeria a pena pagar mais caro para fazer um trajeto tão pequeno, até porque cada centavo estava contando.  

Para esta viagem fiquei hospedada no Clarion Hotel Oslo, localizado no moderno bairro de Bjørvika. Foi difícil escolher um empreendimento específico, pois a cidade oferece vários hotéis descolados, bem localizados e com tarifas semelhantes. Admito que os valores das diárias em Oslo não são muito baratas, mas tirando um ou outro hotel, também não assustam. O Clarion Hotel Oslo tem uma tarifa ok, dentro da categoria dele, até um pouco mais barato; está próximo da estação central e o recomendo demais. Limpíssimo, design sóbrio, mas requintado, e café da manhã mara. Eles dispõem de um check-in automático (eu sempre fico cabreira com essas funcionalidades, mas foi tudo prático e tem sempre alguém ajudando). Deem uma olhada no espaço da recepção do empreendimento.

 

Meu primeiro passeio em Oslo foi um free walking tour disponibilizado pela Free Tour Oslo. Durante quase duas horas de passeio visitamos: Jernbanetorget (leão localizado ao lado da Estação Central de Trens), a moderna Opera House, Trondheimsveien Oslo Borsen, Christiania Torv, Akershus Festning, Aker Brygge, a lindíssima Prefeitura de Oslo, o Teatro Nacional, Karl Johans gate e terminamos o passeio em frente ao edifício do Parlamento Norueguês. Por mais que o passeio tenha sido mais sério, sem piadinhas ou brincadeiras, achei que valeu super a pena, pois nossa guia nos contou muito sobre a história do país, a cultura e a mentalidade norueguesa, além de dar detalhes sobre o cotidiano. Recomendo! Para quem tem interesse, os tours saem todos os dias ministrados em Inglês e Espanhol em frente à Jernbanetorget às 10:00 e às 13:00. Por conta própria também passei em frente à Universidade de Oslo, ao Palácio Real e a Catedral. O Palácio Real está aberto à visitação durante os meses de verão, mas como cheguei no outono, aproveitei apenas o lindo parque que rodeia a edificação. Abaixo segue fotos da Ópera House (1), da Bolsa de Valores (2), da Fortaleza de Akerhus (3), da Fachada e do Interior da Prefeitura de Oslo (4/5), da fachada do Parlamento Norueguês (6), do Teatro Nacional (8), da Universidade de Oslo (9), do Palácio Real (10) e da Catedral de Oslo (11).

 

 

Munch Museet – Localizado um pouco mais afastado do centro da cidade, o Museu expõe obras de Edvard Munch, um dos precursores do impressionismo e expressionismo e o pintor mais reconhecido da Noruega.  Nele estão expostas as obras: “O Grito”, “Madonna”, “Starry Night” e “The Kiss”. Além disso, o Museu conta com trabalhos de outros artistas como Amaldus Nielsen, Harriet Backer, Ludvig Ravensberg, Teddy Røwde, Jakob Weidemann e Johan Berner Jakobsen. O ticket custa NOK 120 e só o recomendo para quem realmente gosta de arte ou é fascinado pelo trabalho de Edvard Munch. O Museu em breve será transferido para um edifício de vanguarda no bairro de Bjørvika, portanto, quando planejarem a viagem, fiquem de olho! Segue abaixo uma foto de “O Grito”. A Obra é menos impactante pessoalmente que nas fotos, mas vale pelo significado.

 

Norsk Folkemuseum – O Museu, localizado na região de Bygdøy, há uns 8 quilômetros do centro da cidade, mostra como as pessoas viviam na Noruega a partir de 1500 até hoje. Esta trajetória é apresentada por meio de 160 edifícios originais expostos a Céu Aberto que representam diferentes regiões da Noruega, diferentes períodos de tempo, além de diferenças entre cidades e classes sociais. A Igreja Stave Gol, datada de 1200, é um dos cinco edifícios medievais do museu e é, sem dúvida, uma das igrejas mais impressionantes que já tive a oportunidade de conhecer. A história contemporânea é apresentada através de exposições permanentes que incluem arte folclórica, figurinos, brinquedos e cultura Sami. O lugar é muito bacana, sem dúvida meu tipo de museu, e foi muito interessante para entender o estilo de vida nórdico. Caso tenham interesse, o museu custa HOK 160. Apesar de estar localizado mais distante do centro, é muito fácil chegar ao local; pegue o ônibus de número 30 no centro da cidade. O trajeto custa NOK 56 (devem ser pagos em espécie ao motorista) e dura cerca de 25/30 minutos.

 

Ainda na região, há 500 metros do Norsk Folkemuseum está localizado outro interessante museu da cidade.

Vikingskipshuset – Este espaço apresenta navios viking, esculturas em madeira e objetos encontrados em escavações arqueológicas. Dois dos navios apresentados estão quase completos; eram navios de alto mar que passaram a ser usados em ritos funerários para seus ricos proprietários ao redor do fiorde de Oslo. É pequeno, mas muito interessante para quem gosta de cultura viking. O ingresso custa NOK 100 e dá acesso ao Historisk museum, no centro da cidade, atrás da Universidade de Oslo. Este último também tem um acervo retratando a cultura Viking, mas só vale a pena a visita se casada com o primeiro museu.

E assim terminou minha rápida passagem pela Noruega.  Eu tenho o privilégio de conhecer muito lugares interessantes, mas pouco lugares me tocam como Oslo me tocou. É uma cidade menos rebuscada, mais sóbria, mas que mescla de forma perfeita a história e a modernidade, a natureza com a vida urbana. É multicultural, mas compacta. A região é bucólica e pouco se assemelha a capital de um país. É uma cidade onde facilmente você percebe o quanto as pessoas se preocupam com o bem estar dos outros. É impressionante como um país que sofreu com as imposições da natureza conseguiu prosperar usando exatamente os mesmos recursos. É satisfatório saber o quanto o governo investe na educação e na saúde para que a população tenha um futuro ainda mais próspero. É inspirador ver como eles são apaixonados pela natureza, pelas atividades relacionadas a ela e como é possível ser feliz aproveitando os momentos simples da vida. É claro que o destino não é perfeito. Oslo é uma cidade cara, MUITO cara, mas também muito justa. Infelizmente há pessoas pedindo ajuda nas ruas, entre eles muitos ciganos e o frio e a escuridão tomam conta da paisagem em grande parte do ano. Mesmo assim, a cidade me inspirou. Fez-me sentir mais grata pela vida, feliz com as minhas escolhas e comigo mesma. Desta forma, recomendo-a a todos que querem conhecer uma outra realidade do mundo. 

Segue abaixo um vídeo que mostra toda a viagem. Ele está disponível no meu canal do Youtube: “Vanessa´s Diaries”. A edição ficou muito bacana, já estou ficando profissional, e conto mais sobre minhas impressões para vocês. Espero que gostem!

Desventuras pela Europa – Capítulo 10 – Finlândia (Helsinque e Tampere)

Moi! O post de hoje é sobre uma das viagens mais esperadas desta temporada europeia. Sempre tive especial interesse nos países nórdicos, pois sou louca por design e um tanto curiosa para entender como nações que lidam com condições climáticas desfavoráveis conseguem se organizar de maneira tão precisa a oferecer qualidade de vida ímpar à sua população.

Fui à Finlândia participar do 14th Corporate Responsibility Research Conference, evento ocorrido em Tampere, segunda maior cidade do país, e sediado pela Business 2 Nature (B2N) Research Group, grupo de pesquisa da Tampere University, em associação com o the Sustainability Research Institute da University of Leeds, no Reino Unido e da KEDGE Business School, na França. Como comentei, o evento ocorreu em Tampere, cidade industrial a 180 quilômetros de Helsinque na qual eu nunca tinha ouvido falar, mas admito que fiquei impressionada pelo lugar e conto para vocês um pouquinho mais sobre ela.

Para quem não sabe nada sobre a Finlândia, o país está situado no norte da Europa; possui pouco mais de 5 milhões de habitantes, no qual grande parte da população está concentrada no sul do território. É o oitavo maior país da Europa em extensão territorial e o menos densamente povoado da União Europeia. As línguas oficiais são o Finlandês e o Sueco e a moeda local é o Euro, o único país nórdico que a utiliza. A Finlândia tem um história fascinante; fez parte da Suécia e do Império Russo, mas desde 1917 é um território independente, administrado por meio de uma república parlamentar com o governo central baseado em Helsinque, capital do país.

Cheguei à Helsinque pelo Helsinki-Vantaan lentoasema; aeroporto bom, moderno e cheio de lojinhas-desejo. O Aeroporto está longe do centro da cidade, mas oferece uma estação de trens com saída de comboios a cada 6 minutos em direção à estação central (trajeto de 30 minutos, em média). O ticket custa € 4,60 e pode ser comprado na própria estação por meio de totens práticos com instruções em diferentes idiomas. Acho que a primeira observação que devo fazer é que, apesar dos demais países nórdicos serem extremamente caros, achei a Finlândia um país ok;  os preços dos produtos e serviços são semelhantes aos valores encontrados na Holanda, alguns deles significativamente mais baratos que no território neerlandês. Quer dizer, não dá para ficar animado, mas também não é um susto a cada esquina.

A primeira parada em Helsinque foi na Estação de Trens da cidade (Rautatieasema) que é, por si só um atrativo turístico. O Edifício foi inaugurado em 1919 em art-nouveau e foi elegida em 2013 como uma das estações ferroviárias mais bonitas do mundo, segundo a BBC. O interior é amplo, mas austero; não achei impressionante, pois prefiro algo mais rebuscado como a estação de trens da Antuérpia na Bélgica, mas gosto muito dos detalhes imponentes da fachada. Deem uma olhada…

Em Helsinque fiquei hospedada no Marski By Scandic; o Marski foi inaugurado na década de 1960 e rapidamente se transformou em um dos hotéis mais importantes do país. Recentemente recebeu uma completa reformulação e hoje faz parte do portfólio da rede de hotéis Scandic. É muito bem localizado, próximo de todos os principais atrativos. É lindamente decorado com elementos Art déco; moderno, colorido e de muito bom gosto. Quartos estilosos e extremamente confortáveis. Além de tudo, oferece uma academia completa e sauna (muito tradicional na Finlândia). O café da manhã é mara (como em qualquer país nórdico); achei tudo meio escuro, pois aprendemos que na hotelaria os ambientes devem ser claros e arejados, mas para mim combinou com o mood do hotel. Gostei e o recomendo! Deem uma olhada no meu apartamento aconchegante.

E vamos aos atrativos… Durante meu breve período em Helsinque visitei os seguintes atrativos:

Catedral de Helsinque (Suurkirkko): É uma catedral luterana situada no centro da cidade, na Praça do Senado. Foi originalmente construída como tributo ao czar Nicolau I da Rússia em estilo neoclássico. A Praça do Senado já é por si só outro atrativo, pois é ampla e congrega importantes edificações públicas como o edifício principal da Universidade de Helsinque e o Palácio do Governo, todos no mesmo estilo. A primeira foto abaixo é da Igreja.

Uma quadra acima está localizada a Casa das Propriedades (Säätytalo). Outro edifício lindo que abriga reuniões governamentais esporádicas e eventos diversos. Logo em frente está o Banco da Finlândia; deem uma olhada na Casa das Propriedades e no Banco da Finlândia.

Ao lado da Praça do Mercado encontra-se a Catedral Ortodoxa Uspenski (Uspenskin Katedraali), uma igreja cristã ortodoxa, herança da dominação russa no país. Foi construída numa das colinas mais altas da cidade em 1868 e é a maior igreja ortodoxa construída na Europa ocidental.

Já do outro lado da Praça fica o Esplanadi, um pequeno parque, como um boulevard, bem agradável rodeado de ruas com lojas, restaurantes e hotéis sofisticadas. Destaco o Café Kappeli, localizado no início do Esplanadi; o restaurantes é muito charmoso e um dos mais antigos da Finlândia, aberto em 1867.

Como comentei no começo do texto, Helsinque é conhecida como a cidade do design. Por essa razão, fiz questão de andar pelo Design District, uma região que abrange vários bairros do centro, incluindo Punavuori, Kaartinkaupunki, Kruunuhaka, Kamppi e Ullanlinna. A região oferece 200 butiques, ateliês, museus, galerias e cafés, além de marcas reconhecidas internacionalmente como Marimekko (AMO!), Arabia, Artek, Iittala, Nokia, etc. Ainda no Design District visitei o Museu do Design (Designmuseo), um espaço dedicado à exposição de design finlandês e estrangeiro, incluindo design industrial, moda e design gráfico. O Museu é um dos mais antigos do mundo, fundado em 1873, mas funciona hoje onde já foi uma escola, construída em estilo neogótico. O valor da entrada é € 12, mas sinceramente não achei que vale a pena. Achei-o muito pequeno, limitado, esperava muito mais! Segue abaixo uma foto da fachada do Museu e de parte do acervo.

Outro espaço que visitei foi Museu Nacional da Finlândia (Kansallismuseo), um local muito interessante que mostra as diferentes fases vividas pelo povo finlandês, desde a pré-história até hoje. Gostei muito, pois aprendi sobre a história e cultura finlandesa e, esse sim é um museu que eu recomendo! O acervo está disponível em outro edifício histórico construído em 1910. Na verdade, toda a região na qual o Museu está localizado é cheia de museus e edificações imponentes.

Por fim, meu último atrativo em Helsinque foi a igreja de Pedra (Temppeliaukio kirkko), uma igreja luterana construída no final da década de 1960. A maior parte da igreja é subterrânea, construída a partir de uma rocha maciça de granito, cujo interior foi extraído para dar forma às paredes.  É o atrativo mais disputado da cidade com filas na entrada e o ingresso custa € 3. Interessante!

Depois de ter desbravado a pequena e charmosa Helsinque, tomei um trem (€ 21) em direção a Tampere. Tampere é a cidade mais populosa do interior dos países nórdicos; possui pouco mais de 200 mil habitantes e é um importante centro urbano, econômico e cultural da Finlândia central. É apelidada de “Manchester da Finlândia” devido ao seu passado industrial como antigo centro da indústria finlandesa. Durante meu tempo na cidade visitei os seguintes atrativos:

Moomin Museum (Muumimuseo): É dedicado a família Moomins, ilustrações feitas por Tove Jansson a partir da década de 1940 que é uma coqueluche na Finlândia e em outros países do mundo. Moomin é um troll semelhante a um hipopótamo que mora com Moominpappa e Moominmamma em Moominvalley. Tove Jansson escreveu mais de nove livros com o personagem; além disso, a artista também desenhou uma história em quadrinhos para jornais. As aventuras da família se transformaram em livros, desenhos animados e miniaturas. O Museu mostra o material multimídia original do Moomin Valley. Admito que nunca tinha ouvido falar do desenho até uma viagem que fiz a Hong Kong na qual tive uma breve conexão em Helsinque. Ao chegar no aeroporto finlandês, fiquei cismada com os produtos licenciados por todos os cantos do aeroporto e pesquisei o que era. Aí entendi a força das histórias, dos personagens e como eles são vistos como um símbolo do país. Voltando ao Museu, fiquei um pouco confusa com o espaço, pois não conheço o personagem a fundo, mas achei-o muito delicado e recomendo para todos os fãs da animação ou para o público infantil. O ingresso custa € 12.

Andei pela Praça Central de Tampere (Keskustori), uma praça pública no centro que dispõe de edifícios importantes como a prefeitura, a antiga igreja e o teatro. Segue uma foto da fachada da Prefeitura.

Ao lado da Praça está a antiga fábrica da Filayson. A fábrica de algodão foi fundada em 1820 e já foi uma das empresas industriais mais importantes dos países nórdicos. Hoje a área foi remodelada e abriga escritórios comerciais, restaurantes, cafés, lojas, museus e cinema.

Como estava muito envolvida com a programação do Evento, não tive a oportunidade de conhecer outros atrativos, mas sei que Tampere oferece vários museus e espaços interessantes para visita.

No entanto, durante o evento, fiz uma sauna finlandesa, um dos costumes mais tradicionais do país (fez parte da programação social do encontro). Também chamada de “banho finlandês”, é muito semelhante à sauna seca que temos em outros lugares do mundo. O mais incomum é que as pessoas são realmente assíduas da sauna e logo depois de torrar em um espaço acima de 60o.C, eles têm o costume de correr para o gelo ou dar um pulo em um lago gelado, pois acreditam que o resultado benéfico da sauna venha a partir do choque térmico. Muitos finlandeses tem saunas em casa e há uma piada na qual o finlandês constrói primeiro a sauna para depois construir a casa. É um espaço social onde pessoas de todas as classes, idades e gêneros se reúnem para relaxar, conversar e até mesmo discutir e fechar negócios. Foi muito legal a experiência, apesar das saunas finlandesas serem mais quentes que em outros lugares. É claro que não pulei no lago gelado depois da minha sessão, sou uma brasileira que tem pavor de água gelada, mas fica a dica!

Em Tampere fiquei hospedada Scandic Hotel Rosendahl, localizado ao lado do Lago Pyhäjärvi e do Parque Pyynikki, afastado do centro. Escolhi o Hotel, pois foi onde ocorreria a Conferência e achei que fosse mais cômodo pela questão logística. O lugar é ok; achei os apartamentos meio datados, mas oferecem uma boa piscina interna, academia, sauna, café da manhã completo e uma tarifa bacana. Não sei se o recomendaria, mas fica a dica para quem está procurando um empreendimento em Tampere e está fugindo do centro.

E assim terminou minha rápida passagem pela Finlândia. Como escrevi no começo do post, esse era um país que eu tinha muito interesse em conhecer e, por mais que eu tivesse grandes expectativas, a Finlândia conseguiu me surpreender. Tampere, mesmo sendo um centro industrial, é muito mais charmosa e conectada com a natureza do eu imaginava. As construções neoclássicas e art-nouveau são harmoniosamente mescladas às casinhas de madeira coloridas típicas do norte da Europa. E a proximidade com bosques, lagos e praia trazem uma sensação de simplicidade e contato com a natureza.

Helsinque, apesar de cosmopolita, consegue mesclar imponência e aconchego. Assemelha-se um pouco com Estocolmo, mas ao mesmo tempo é mais compacta, enxuta, mais simples. A vida anda mais devagar (quando comparada a grandes centros como Amsterdã, Londres e Paris) e é aquele tipo de lugar onde o transporte funciona bem (apesar de ter atrasos como eu qualquer lugar do mundo), impecavelmente limpo e organizado. O comércio faz um horário maluco que parece que só não faz sentido por mim e as regras são respeitadas de uma forma muito tranquila. As pessoas são super estilosas, sem fazer esforço; são educadas, mesmo que introspectivas, não falam Inglês com tanta propriedade como em outros países nórdicos, mas fazem questão de entender a todos e estarem presentes. Parecem muito tranquilas com o clima louco e com as condições desfavoráveis, andando na chuva e no vento como se nada estivesse acontecendo, enquanto eu parecia uma louca correndo apavorada procurando uma marquise para me esconder.

É impressionante como um país que foi dependente de outros territórios por tantos séculos conseguiu construir  uma cultura própria e tão distinta; que mesmo com as diversas crises ao longo de sua história, inclusive problemas recentes, conseguiu se reerguer se tornando um dos melhores países do mundo para se viver. É engraçado ver como as bicicletas foram trocadas pelos descolados patinetes. É interessante ver uma sociedade onde as classes sociais representam muito pouco e onde todos se sentem parte de um todo; uma sociedade que privilegia a igualdade e a liberdade, mas que vive bem com regras definidas a fim de atingir um bem comum. Claro que nem tudo é perfeito… Durante meus dias na Finlândia vi vários bêbados e drogados perambulando pelas cidades tentando fazer contato e pedindo ajuda. Admito que me senti insegura em alguns momentos ou em alguns locais específicos. Além disso, os finlandeses admitem que mesmo com a aparente perfeição, o país enfrenta desafios diários.  Mesmo assim, vi no geral tenacidade no olhar dos locais e uma vontade de procurar a felicidade nas coisas mais simples. Vi um povo ciente de sua história e de seus costumes e sem a mínima pretensão de impor aos outros o que é certo ou errado. Um povo que vive o presente, mas com um olhinho no futuro. Quem sabe um dia não aprendo com eles!

Espero que tenham gostado de mais um relato de viagem e me acompanhem na próxima aventura pelos países nórdicos. Segue abaixo um vídeo que fiz para o Youtube que mostra todo o trajeto. Ficou muito bacana!

Hei, hei!

 

Desventuras pela Europa – Capítulo 9 – Haia, Roterdã e Delft (Holanda)

Olá Pessoal!

Toda vez que comento com algum amigo que estou morando na Holanda, ele imediatamente relaciona o país com Amsterdã, como se fosse a única cidade existente no território. Fico um pouco revoltada, pois tenho muito orgulho de morar no norte, em uma charmosa cidade chamada Leeuwarden, e acho que a Holanda tem destinos ainda mais fascinantes que Amsterdã. Portanto, como professora de turismo e curiosa, nestes últimos meses tenho visitado diversos atrativos neerlandeses e fiz um videozinho básico sobre Haia, Roterdã e Delft. Caso não conheçam estas cidades e queiram ter um direcionamento do que fazer por lá, deem uma olhada…

Um tour pela Europa Central (Suíça, Liechtenstein e Áustria)

O post de hoje conta sobre um roteiro realizado durante o verão europeu por Genebra, Berna e Lucerna na Suíça; Vaduz no Principado de Liechtenstein; e Innsbruck na Áustria. Foi um passeio para comemorar meu aniversário e que eu estava planejando há mais de um ano. Conheci destinos inusitados e cruzei dois países; acompanhem comigo.

Genebra

Começamos nossa jornada no sul da Suíça, em uma das fronteiras com a França, onde ficamos hospedados no Hotel Ibis Styles Genève Carouge, um empreendimento novo e charmoso localizado a 15 minutos de tram do centro. Deem uma olhada como meu quarto era descolado.

 

Genebra é a segunda mais populosa cidade da Suíça e faz parte da porção francesa do país; tem quase 200 mil habitantes e congrega inúmeras organizações internacionais como a sede das Nações Unidas, da Cruz Vermelha e da UNESCO. É considerada a terra dos relógios suíços e um dos mais importantes centros financeiros do mundo. Durante nossos dois dias em Genebra, conhecemos: (I) a Cidade Velha (Vieille-Ville), bairro histórico dominada pela Catedral de São Pedro. Andamos pelas charmosas ruelas e e conhecemos a Maison Tavel, a casa mais antiga de Genebra que oferece visitas gratuitas. A segunda foto mostra a imponente Catedral.

II) Visitamos o lindo lago Léman. O tom azulado da água é impressionante, nem parece ser real. O Lago banha o Jardim Inglês, um espaço propício para uma caminhada ou para relaxar vendo o dia passar. O Jardim possui um relógio de flores que chama a atenção de todos os turistas; deem uma olhada no Lago e no Relógio.

III) Andamos pela Rue de Rhône, a rua mais exclusiva da cidade com lojas de grandes marcas como Louis Vuitton, Hermès, Céline, Chanel, etc., e para fechar nossa passagem pela cidade ganhamos uma visita VIP ao Museu Patek Philippe, uma das mais celebradas fábricas de relógios do mundo. O Museu está alocado em um edifício Art Déco na região de Plainpalais e tem uma coleção que mostra mais de cinco séculos de história relojoeira, inclusive uma seleção de relógios da própria marca. Muito interessante, pois muitos dos relógios são joias preciosas e há uma pessoa mostrando como cada peça Patek Philippe é produzida. Caso tenham interesse em visitá-lo, o Museu custa 10 CHF.

A cidade de Genebra é linda e é diferente do que eu imaginava. Ela é chiquérrima e exclusiva, mas ao mesmo tempo passa uma sensação de aconchego. É charmosa de uma maneira discreta e pitoresca, não opulenta. É extremamente limpa, organizada e onde tudo funciona perfeitamente. É cara, muito cara, mas tudo é caro na Suíça. Um dos pontos que mais me chamou a atenção foi o fato de que os turistas ganham um cartão de transporte chamado Geneva Transport Card, um passe válido durante o período de sua hospedagem no destino e que oferece gratuitamente o serviço de ônibus, trem, metrô, tram e barco para que o visitante possa se locomover durante sua estada. Genial e muito prático! Finalizando nossos dias em Genebra, pegamos um trem no meio da tarde e em quase 2 horas já estávamos na capital suíça. Caso tenham interesse o trem de Genebra a Berna na segunda classe custa 51 CHF.

Berna

Tem pouco mais de 130 mil habitantes e foi declarada em 1983 como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO devido à sua arquitetura medieval. Faz parte da porção alemã do país e é considerada uma das mais cidades bonitas da Suíça. Devo admitir que Berna foi uma adorável surpresa, pois é encantadora e tem carinha de conto de fadas. Assim como em Genebra, a cidade tem várias fontes de água potável, mas em Berna algumas delas ainda são da Idade Média. Também como em Genebra, Berna oferece um cartão de transporte válido durante o período de sua hospedagem no destino no qual é possível usufruir de ônibus e tram para fazer seus passeios.

Berna foi onde Albert Einstein desenvolveu a Teoria da Relatividade; a casa onde ele morou (Einsteinhaus) foi transformada num museu e aberta ao público. Admito que o espaço é um pouco sem graça, pois são basicamente duas salas, mas há várias informações sobre a vida do cientista e. caso tenham interesse em visitá-la, o ingresso custa 6 CHF. Segue abaixo uma foto da sala principal do Museu.

Durante nosso dia em Berna conhecemos: (I) O relógio medieval;

(II) Passamos pela Rathaus (Prefeitura da cidade);

(III) Entramos na Berner Münster (Basílica de Berna), igreja construída em estilo gótico no século XV, mas sua edificação foi finalizada apenas 400 anos depois e ainda é a catedral mais alta da Suíça;

(IV) Passamos pelo Bundeshaus, casa do parlamento suíço;

E atravessamos a Kirchenfeldbrücke para visitar o Palácio onde está o Museu de História de Berna. Não o visitamos, pois estava fechado, mas fica a dica.

Para essa viagem, escolhi me hospedar no Kreuz Bern Modern City Hotel, um hotel pequeno, simples, mas novinho e limpinho, muito bem localizado no centro da cidade. O atendimento não é lá essas coisas; mesmo assim, recomendo-o..

Após uma dia intenso em Berna continuamos nossa jornada; pegamos outro trem e em torno de 1 hora e meia chegamos em Lucerna. O ticket deste trajeto na segunda classe custou 39 CHF.

Lucerna

Neste destino escolhi me hospedar no Ibis Styles Luzern, próximo ao centro histórico, mas devo alertá-los que foi o hotel que eu menos gostei em todo o passeio. Apesar da boa localização, achei-o muito antiquado, muito abaixo das demais hospedagens da mesma bandeira e senti que ele precisava de uma atualização urgente. Mesmo assim, o empreendimento é ok para quem está buscando um hotel apenas para dormir.

Lucerna era uma cidade que eu queria conhecer há muito tempo. É outro destino de língua alemã, com quase 80 mil habitantes, considerada a porta da Suíça Central. Sem dúvida impressiona pelas paisagens com as montanhas, as construções medievais e o Lago de Lucerna que corta a cidade. O Lago nesta parte do país é de um tom cristalino esverdeado, lindo.

Durante nosso dia em Lucerna conhecemos: (I) os restos da muralha medieval (Museggmauer) que, apesar de bacana, requer certo preparo físico e cuidado com o caminho; (II) a Kapellbrücke, ponte de madeira coberta mais antiga de Europa;

(III) A Spreuerbrücke, outra ponte coberta que possui macabras telas barrocas;

(IV) Entramos na Hofkirche, igreja renascentista considerada catedral da cidade até ao século XIX;

E andamos pelo centro da cidade; conhecido como Altstadt, o centro congrega várias construções renascentistas que parecem tiradas de um filme. Por fim, visitamos Löwendenkmal, um leão esculpido no meio de uma pedra em homenagem aos guardas suíços que foram atingidos na Revolução Francesa. É uma das esculturas mais fotografas da Suíça (terceira foto anexada abaixo). 


Lucerna tem uma disposição espacial um pouco diferente do que eu imaginava; é como se cada atrativo ficasse numa ponta da cidade, mas ela é mais bonita e mais surpreendente do que em minha mente. Fiquei fascinada com as pontes e o patrimônio histórico e sem palavras ao olhar as montanhas que cortam o lago de Lucerna. É outro lugar muito especial! Ahhh! E assim como em Genebra e Berna, Lucerna também oferece um cartão de transporte que pode ser utilizado durante sua estadia; depois de tantos dias com essa moleza fiquei mal acostumada!

Terminamos nossa expedição pela Suíça, mas a aventura continuou. Começamos uma nova etapa da viagem na qual pegamos um trem para Vaduz, capital do Principado de Liechtenstein. A viagem de trem durou mais de três horas e admito que ficamos um pouco perdido com as conexões. Ao todo foram três trens, dois ônibus intermunicipais, muitas paisagens de cair o queixo e um pouco de frio. Todo o trecho custou em torno de 65 CHF.

Vaduz

Acho que é a única capital de um país europeu que não tem estação central. Tivemos que parar em Schaan, cidade ao lado, e tomar um ônibus ao nosso destino final.

O Principado de Liechtenstein é um pequeno território entre a Suíça e a Áustria conhecido como paraíso fiscal. A cidade de Vaduz tem pouco mais de 6 mil habitantes e é conhecida como a porta para outros destinos de inverno.

Não tivemos muita sorte neste dia, pois pegamos muita chuva, mas conhecemos:

(I) Rathaus (Prefeitura da Cidade);

II) Landesmuseum (Museu Nacional), com direito à entrada na sala onde estão as joias da coroa. Admito que nenhum dos dois valeu a pena; no primeiro fiquei um pouco perdida, pois não entendi o acervo por não haver explicações em Inglês e o segundo se resumia à Coroa do Rei e alguns ovos Fabergé. No entanto, caso tenham interesse a visita custa 8 CHF;

Visitamos também a Catedral, os Palácio do Governo e do Parlamento, este último estava em reforma. Para conhecer melhor a cidade e fugir da chuva tomamos um trenzinho turístico (10 CHF) disponível no terminal de ônibus duas vezes ao dia. Apesar da ideia ser interessante também não achei que valeu a pena, pois o palácio que mais me instigava, o Castelo de Liechtenstein, não pode ser alcançado pelo trem e visitamos atrativos que me interessavam pouco como o estádio de futebol (que é micro) e os vinhedos do Principado.

Em Vaduz nos hospedamos no Hotel Vaduzerhof localizado na rua central da cidade. O empreendimento não possui funcionários 24 horas, portanto os procedimentos de check-in e check-out são feitos automaticamente em uma operadora disponível na recepção. Apesar da dificuldade para fazer tudo por conta própria, o Hotel era uma fofura. Novinho, muito cômodo e tinha uma máquina de café disponível ao hóspede, super recomendado! 

Achei a cidade bonitinha, muito limpa e organizada, mas não recomendaria uma viagem específica para lá, pois não acho que valha a pena, mesmo porque o território é de difícil acesso se você não está com um carro ou em uma excursão.

Terminamos nossa expedição por Liechtenstein e chegamos à Áustria, onde nossa parada foi em Innsbruck. Para chegar à capital do Tirol fizemos um trajeto de três horas no qual utilizamos ônibus interurbano (cruzando quase todo o Principado de Liechtenstein) e o trem. Em Innsbruck ficamos hospedados no Hotel Zach, localizado entre a Estação Ferroviária e o centro histórico da cidade; outro hotel simples, ajeitadinho, mas com um atendimento fantástico.

Innsbruck é uma cidade com pouco mais de 130 mil habitantes conhecida como um centro para os esportes de inverno. Era outro destino que eu queria muito conhecer, pois tenho um amor especial pela Áustria e sempre escutei que a cidade era uma das mais bonitas do país. Não posso negar que ela é igualzinha aos cartões postais e acho que estar lá ao vivo é ainda melhor; as montanhas como pano de fundo para centro histórico delicado e bem conservado trazia uma sensação de que estávamos em um parque da Disney.

Durante nossos dois dias em Innsbruck conhecemos:

(I) Goldenes Dachl, edifício histórico do século XVI cheio de detalhes nas paredes e nos entalhes da madeira; (II) HeblingHaus, casa em estilo gótico com uma fachada em estuque barroca adicionada à casa no século XVIII; 

(III) Hofburg, palácio imperial remodelado por Maria Theresa, rainha da Áustria, frequentado posteriormente por Sissi. O espaço é interessante e tem salas suntuosas em decoração rococó, mas não é tão impactante como Schönbrunn em Viena. O ingresso custa €10; (IV) entramos na imponente Catedral, linda construção do século XVIII; e passamos pelo (V) Arco do Triunfo (Triumphpforte), erguido por Maria Theresa no século XVIII para comemorar o noivado do seu filho, mas também há uma homenagem à seu falecido marido. Segue foto abaixo.

Visitamos, ainda, o Mercado local e a loja da Swarosvski, famosa pelas joias feitas com cristais que iniciou sua operação no Tirol. Innsbruck tem a primeira loja da marca e é um espaço super moderno, cheio de peças impactantes e completamente lotada de turistas chineses, inclusive havia um vendedor falando em Mandarim. A Loja tem uma exposição de um artista que transformou a simples prateleira de um mercado em uma joia. Todos os produtos do nosso dia a dia foram preenchidos com cristais. Um trabalho lindo e, ao mesmo tempo, inusitado. Deem uma olhada!

E assim terminou mais uma viagem. Todo o roteiro foi muito legal e não me arrependo de nada. Se pudesse mudar alguma coisa, teria ficado mais dicas em cada cidade para curti-las com mais tempo, mas tudo deu tão certo que não tenho como criticar. Se pudesse dar algumas dicas para vocês:

I) Levem pouca bagagem, pois carregar muitas malas em viagens de trem com várias conexões não é muito prático;

II) Estejam abertos a se perder pelos lugares e se não se prender com os horários;

III) Estejam cientes de que cada país possui uma moeda diferente (nosso caso utilizamos o Franco Suíço na Suíça e Liechtenstein e o Euro na Áustria) e cada região possui um custo de vida distinto; começamos o roteiro logo pelo país e destino mais caro e no final da viagem achávamos que estava tudo super em conta (quando na verdade não estava!).

Enfim… Agora é hora de se despedir do sol e voltar para a chuvosa Holanda e sonhar com a próxima viagem. 

Se quiserem ver mais detalhes desta jornada, segue abaixo um vídeo no Youtube que conta toda a aventura. Espero que gostem!

Auf Wiedersehen!

 

           

Desventuras pela Europa – Capítulo 8 – Sofia (Bulgária)

O post de hoje é na verdade um vlog. Conto por meio de um vídeo minha aventura por Sofia, capital da Bulgária. Nos últimos anos tenho explorado o Leste Europeu e descoberto destinos pouco explorados pelos brasileiros. Neste vlog, em particular, mostro um pouco da cidade de Sofia, conto sobre seus principais atrativos e finalizo com minhas impressões gerais. O que vocês acham? Dúvidas, sugestões e impressões são sempre bem vindas.

Até a próxima!

Desventuras pela Europa – Capítulo 7 – Manchester e Buxton (Inglaterra)

O post de hoje é sobre mais uma viagem inusitada que fiz nesta nova jornada pela Europa. Fui ao noroeste da Inglaterra, especificamente Manchester e Buxton. Minha viagem tinha como objetivo participar do 2019 Tourism Naturally Conference, conferência organizada pela University of Derby para discutir temas relacionados ao turismo de bem-estar, com foco na experiência, saúde, sustentabilidade e áreas protegidas.

Fui a Manchester em um voo com saída em Amsterdã pela KLM e não tenho muito o que dizer; tirando o atraso por conta das condições meteorológicas da Holanda e o fato de que os voos no Aeroporto de Schiphol saem sempre atrasados, foi tudo tranquilo e muito rápido, pouco mais uma hora. Chegando ao aeroporto inglês peguei um trem em direção ao centro da cidade (£ 4) e em pouco menos de 20 minutos estava em Manchester Picadillly, a principal estação de trens.

E aí vai minha dica de amiga: Lembrem que em todo Reino Unido, região composta pela Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte, a moeda é a Libra Esterlina. Portanto, troquem o dinheiro o quanto antes, pois nenhum estabelecimento aceitará Euros ou Dólares.

Contarei a viagem pelas cidades, pois assim fica mais fácil entender cada um dos destinos e os atrativos que visitei.

Manchester

É a segunda maior cidade do Reino Unido e a terceira mais visitada. É uma cidade industrial com papel marcante na história mundial por ser o berço da Revolução Industrial, no qual foi utilizada pela primeira vez a máquina a vapor no setor têxtil em 1789 e onde surgiu a primeira ferrovia do mundo, ligando Manchester a Liverpool em 1830. Também é onde foi criado o primeiro computador, construído na Universidade Victoria em 1948, carinhosamente chamado de Baby. Foi a casa de vários pesquisadores importantes como Alan Turing, famoso por quebrar os códigos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, pai da computação moderna e pioneiro nos trabalhos relacionados à inteligência artificial. Por essa história repleta de esforço, pessoas geniais, trabalhadores, focadas, o símbolo da cidade é a abelha. Como se cada morador fosse uma abelhinha nesta grande colmeia que é Manchester.

A cidade oferece uma variedade de meios de hospedagem convenientes, mas escolhi o Ibis Styles Manchester Portland Hotel, um empreendimento temático muito bem localizado com atmosfera amigável e lúdica,  remetendo ao tema “condições climáticas”. Simples, divertido, prático e limpinho.

Free Manchester Walking Tours – Meu primeiro passeio como sempre, foi um Free Walking Tour. O tour compreende em 3 horas de percurso no qual conhecemos: Sackville Gardens; The University of Manchester; Canal Street, onde vimos uma eclusa em funcionamento, e a região underground; Manchester Town Hall; Central Library, cópia do Pantheon de Roma; Midland Hotel e Royal Exchange Theatre. Durante o tour, nossa maravilhosa guia Farah também explicou sobre as histórias de Manchester, dando destaque às diferentes etapas da cidade; experimentamos o Vimto, uma bebida local, e terminamos o trajeto na região comercial, muito próximo de onde houve um atentado a bomba idealizado pelo grupo paramilitar irlandês IRA na década de 1980 que, ao invés de acabar com a cidade, deu mais ânimo para que ela continuasse crescendo. Foi um passeio muito legal e recomendo a empresa e a guia. Caso tenham interesse, o tour sai todos os dias às 11h da Alan Turing Memorial na Sackville Gardens. Segue algumas fotos tiradas durante o percurso. A primeira delas é da Prefeitura de Manchester.

Science + Industry Museum – É dedicado às ideias que mudaram o mundo a partir da Revolução Industrial. Está localizado no edifício que sediou a mais antiga estação ferroviária de passageiros existente. Exibe maquinários históricos e conta a evolução da cidade por eles. É interessante pela sua importância histórica e é um espaço criativo e interativo para as crianças, mas não acho que seja fundamental. O melhor de tudo é que oferece entrada gratuita.

The John Rylands Library – É um edifício neogótico do período vitoriano aberto ao público em 1900. Hoje faz parte da Biblioteca da Universidade de Manchester e é uma linda biblioteca que se assemelha a uma igreja. Outro atrativo com entrada gratuita que vale a pena dar uma olhada.

Chetham’s Library – É a mais antiga biblioteca pública do Reino Unido aberta há mais de 350 anos. O lugar é fenomenal; possui mais de 100.000 volumes de livros impressos, dos quais 60.000 foram publicados antes de 1851. O livro mais antigo é do século XII e foi escrito a mão, pois ainda não existia imprensa ou editoras e o local possui, ainda, o dicionário mais antigo do mundo da língua inglesa. Foi um espaço de estudos de Karl Marx e Friedrich Engels quando passaram pela cidade para conhecer as condições laborais das fábricas inglesas. A biblioteca está aberta ao público e as ótimas visitas guiadas são realizadas gratuitamente a cada hora. Acho que é um programa indispensável, pois é a história viva.

Catedral de Manchester – Construída no século XV, tornou-se catedral somente no século XIX. Apresenta diferentes estilos arquitetônicos, principalmente o Gótico, devido a uma reforma ocorrida no período vitoriano. Durante a Segunda Guerra Mundial foi gravemente danificada por uma bomba alemã e levou quase 20 anos para concluir os reparos. Uma linda catedral nos moldes das igrejas inglesas, muito próxima do centro comercial da cidade e outra visita gratuita.

Para os amantes de futebol, outro atrativo imperdível é o National Football Museum. Originalmente inaugurado em 2001 na cidade de Preston, o Museu foi posteriormente tranferido para Manchester e oferece uma coleção com mais de 140.000 botas, bolas, programas, pinturas, cartões postais e cerâmica (incluindo a coleção da FIFA). Não o visitei por pura pão-durice, mas caso tenham interesse, o ingresso custa £ 10.

Destaco também a oferta gastronômica de Manchester. Não vou indicar nenhum lugar específico, mas há muitas opções bacanas, inclusive que oferecem o tradicional chá da tarde inglês e fiquei triste por não explorar este aspecto da cidade como gostaria.

Mesmo que eu esteja mostrando lindas fotos e muitos atrativos interessantes, não acho a cidade um must see. Ela é confusa, suja, mal planejada, com muitos pedintes e desabrigados. Os edifícios de diferentes estilos e de distintos períodos históricos não se mesclam de forma harmônica. O comércio está muito aquém do que poderia ser para uma cidade de tal importância e tamanho. Enfim, fiquei feliz de tê-la conhecido, pois cada viagem é especial e é mais uma oportunidade de adquirir conhecimento e experiência, mas devo admitir que Manchester não conquistou meu coração.  

No final da minha jornada, peguei um trem na Manchester Picadilly para Buxton (£ 10,90). O trem, apesar de caro e barulhento, é prático e, em menos de uma hora, estava em um cenário completamente diferente.

Buxton

Denominada pelos romanos como Aquae Arnemetiae, ou Água da Deusa do Bosque Sagrado, esta pequena cidade com pouco mais de 20 mil habitantes se transformou em um produto turístico quando o 5º Duque de Devonshire criou no século XVIII um destino termal completamente estruturado com edifícios vitorianos e georgianos para rivalizar com Bath, um destino de spa muito famoso na Inglaterra. A cidade possui águas termais com uma temperatura constante de 28ºC munida de vários benefícios para a saúde, principalmente para o reumatismo. Entre seus principais atrativos estão a impressionante Devonshire Dome, antigo estábulo de cavalos, posteriormente hospital real e hoje parte da estrutura da Universidade de Derby, onde ocorreu o evento. Segue uma foto abaixo.

Destaca-se, também, a requintada Opera House, que recebe festivais, peças de teatro e de música e shows de comédia durante todo o ano.

E o Old Hall Hotel, o hotel mais antigo da Inglaterra ainda em funcionamento e onde a Rainha Mary da Escócia foi mantida em cativeiro no século XVI durante uma caminhada em direção à Caverna de Poole.

Outro lindo atrativo são os Jardins do Pavilhão, muito bem cuidados e com lojinhas turísticas. O próprio Pavilhão abriga stands de produtores locais que vendem um pouco de tudo.

O meu despontamento em Manchester foi completamente esquecido quando cheguei a Buxton. É uma cidade muito charmosa, bem cuidada, com casas construídas em pedras e muito verde. É pequena, rústica, mas é o que nos vem a mente quando pensamos no interior da Inglaterra. No entanto, a cereja do bolo foi um jantar oferecido pelo Evento no Chatsworth House, palácio localizado a aproximadamente 30 minutos de Buxton que serve como moradia dos Duques de Devonshire há gerações. Os jardins de Chatsworth são um dos mais famosos da Inglaterra; é o segundo atrativo mais popular no Reino Unido pelos turistas chineses e tudo isso se deve ao fato da propriedade ter sido cenário do filme “Orgulho e Preconceito”,  blockbuster com Keira Knightley baseado na obra da autora inglesa Jane Austen. Uma surpresa encantadora!

Durante meus dias em Buxton fiquei hospedada no Best Western Lee Wood Hotel, um hotel em estilo campestre inglês que funciona com este propósito desde sua inauguração. Admito que não é bem meu estilo de hospedagem, pois é muito datado, mas o Hotel era extremamente limpo e aconchegante. Ressalto que todos os meios de hospedagem de Buxton seguem a mesma vibe. Deem uma olhada na fachada do edifício central do empreendimento.

No final da minha jornada em Buxton, peguei um ônibus express na Market Square para o Aeroporto de Manchester (£ 4,20). Apesar de ter parado em vários lugares foi uma forma conveniente e barata de chegar ao destino final. O percurso levou pouco menos de 1h40.  

E assim termino mais um post. Espero que tenham viajado comigo nestes dois destinos ingleses e entendido um pouco mais da história e do espírito local. Se por um lado Manchester não chamou minha atenção, Buxton me conquistou e já estou programando minha volta. Ahhh! E para os curiosos, a água de Buxton é realmente boa! Minha pele e meu cabelo estavam radiantes durante toda a viagem e poderão ver isso no meu vídeo do Youtube no qual conto com detalhes todos os atrativos que visitei.

Finalizo meu post com esta foto mais inglesa impossível e see you later!

 

Desventuras pela Europa – Capítulo 6 – Gante (Bélgica)

E a vontade de sassaricar pela Europa não pára. Em uma viagem planejada de última hora, o post de hoje conta sobre meu final de semana em Gante, Gent (Holandês) ou Ghent (Inglês).

Gante é a terceira cidade mais importante da Bélgica com pouco mais de 260 mil habitantes. Com uma história fascinante incentivada por seu porto estratégico e suas boas relações comerciais, principalmente com a Inglaterra, Gante foi, na Idade Média, a segunda maior cidade europeia, logo depois de Paris. É reconhecida como primeira zona industrial da Europa por conta de seus produtos têxtis, mas a reforma protestante nos séculos XVI e XVII trouxeram problemas profundos à cidade. Nos séculos XVIII e XIX Gante recuperou parte de sua indústria têxtil e teve grande êxito econômico ao ser a primeira cidade continental europeia a instalar uma máquina a vapor, contrabandeada da Inglaterra. Foi a cidade de nascimento de Carlos V, um dos mais importantes reis da Espanha e parada de Karl Marx que escreveu alguns de seus ensaios por lá. Fez parte da Espanha, do Reino Unido, da Holanda e hoje está localizada na porção com influência holandesa da Bélgica, conhecida como Flandres.

Fui à Gante de trem e o trajeto de Amsterdã ao ponto final dura em torno de 2h30 a 3h10, dependendo do tipo de trem escolhido. As passagens custam em torno de € 30 a € 90 por trecho e este valor está diretamente relacionado ao tipo do trem, à categoria escolhida e a data da compra. Já escrevi várias vezes em outros posts e volto a destacar; caso optem pelos trens europeus, comprem os tickets com a maior antecedência possível, pois isso influencia diretamente no valor final do passeio. Ressalto também que o bilhete só estará disponível para a venda com três meses de antecedência, portanto, não tentem comprá-lo hoje para o próximo ano. A Estação Central de Trens de Gante, St. Pieters, é linda, parece um castelo medieval, uma pena estar tão longe do centro da cidade. Deem uma olhada em sua fachada.

Como sempre tentei escolher a melhor opção de hospedagem possível e não poderia ter pedido por uma localização mais privilegiada. Nesta viagem fiquei hospedada no 1898 The Post, um hotel boutique situado na principal praça de Gante, no antigo edifício dos correios. O quarto era pequenino, mas extremamente charmoso, confortável e bom atendimento. O único ponto negativo foi a própria localização, pois o Hotel estava ubicado entre as três principais igrejas da cidade, portanto estava eu disposta a dormir o sono da beleza até o meio dia, mas as insistentes badaladas dos sinos das igrejas não deixaram. Tudo bem… Digamos que era a cidade me chamando para aproveitá-la. Deem uma olhada na fachada do Hotel e nos detalhes da mesa de trabalho do meu apartamento.

O primeiro passeio que fiz por Gante e foi o Free Tour of Ghent, que oferece tours em Inglês e Espanhol todos os dias às 10h30 e às 14h.  A saída é na Cataloniëstraat 18 ao lado da igreja de St. Nicolas, em frente ao Taco Restaurante. É fácil reconhecê-los, pois sempre estão usando um guarda-chuva laranja. Durante nosso paasseio visitamos:  a Igreja de St. Nicolas, Belfry of Ghent, conhecido como o Campanário da cidade, a Catedral de Saint Bavo (ou São Bavão), Korenmarkt, a charmosa ponte de São Miguel, o antigo porto, o Castelo de Gravensteen, também nominado como o Castelo dos Condes, o antigo mercado das carnes e dos peixes, o mercado de sexta-feira e terminamos o tour na Câmara Municipal da cidade. Admito que não foi o melhor free walking tour que eu já fiz, mas nosso guia era muito solícito e como o centro da cidade é pequeno, foi possível conhecer seus principais atrativos em uma caminhada. Além disso, Gante é um charme! Ela conseguiu manter parte de suas construções medievais no centro de uma cidade moderna, mas de uma forma muito harmônica, portanto é um tipo de passeio que deve ser feito. Minha dica é: Deixem os sapatos estilosos no hotel e usem um calçado bom para toda a obra, pois o calçamento das ruas de Gante são em paralelepípedos pequenos e, como sempre, estava usando um sapato inadequado. Não machuquei meu pé, mas gerei “feridas de guerra” nos meus sapatos carérrimos e xodós do meu guarda-roupa. Deem uma olhada em algumas fotos tiradas pelo caminho. A quarta foto é da linda fachada do antigo mercado dos peixes e as últimas duas imagens é do Castelo dos Condes.

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A cidade de Gante oferece vários museus interessantes como o Museu de Belas Artes, Museu do Design, Museum Dr. Guislain, entre outros. No entanto, optei por conhecer o STAM que é o Museu da Cidade. Ele apresenta sua história por meio de uma trilha cronológica de objetos e multimídia que acompanham o desenvolvimento e o crescimento local. Localizado entre o centro da cidade e a estação de trens, parte de sua estrutura fez parte da antiga abadia de Bijloke, além de outros edifícios do mesmo complexo. O lugar, adaptado às necessidades atuais, é maravilhoso. O museu é interessante, mas não é fenomenal! Acho que vale a pena apenas para os amantes de história. Caso tenham interesse, o ingresso custa € 8. Segue abaixo fotos da fachada do Museu e de algumas salas e espaços internos.

O restante do meu final de semana foi destinado a andar pelas ruas e aproveitar o que a cidade tem de melhor. Fiz questão de conhecer o interior das principais igrejas e acho que vale a pena a visita à Catedral de São Bavão (St. Bavo) que tem o púlpito mais bonito que eu já vi na vida. Vejam os detalhes da obra abaixo.

Na Igreja está exposto o painel “A Adoração do Cordeiro Místico” feita por Hubert e Jan van Eyck e é considerada a obra mais furtada da história. Até hoje um de seus painéis está desaparecido.

Também não deixem de experimentar os waffles quentinhos (comi muitos!), os famosos chocolates e degustar as cervejas locais. Esta última eu dispenso, mas é realmente impressionante a variedade de marcas disponíveis no comércio.

E assim me despeço desta viagem. A Bélgica não é um país no qual tenho apego, mas fiz questão de conhecer Gante para ter um novo ponto de vista e posso admitir que foi uma experiência muito positiva. Ela tem o charme de Brugges com os canais e construções medievais, mas com a vivacidade de Bruxelas. De alguma forma, as edificações medievais fazem muito sentido no ambiente moderno e tudo mescla muito bem. Ainda acho estranho o fato da Bélgica não ter uma identidade própria; em alguns momentos sentia-me na França, em outros tinha certeza que estava na Holanda e, de repente, me sentia no Leste Europeu, mas talvez seja essa mistura que transforme a Bélgica em um lugar único. Ainda não gosto do atendimento no comércio, na falta de cardápios em outras línguas que não seja Holandês (mesmo que o Francês e o Alemão também sejam os idiomas oficiais do país); mesmo assim, depois de Brugges, na minha opinião, Gante é a cidade mais charmosa da Bélgica e se estiverem pela região acho que vale a pena dar uma passadinha por lá, nem que seja para andar pelas agradáveis ruas do centro da cidade.

Espero que tenham gostado de acompanhar mais essa viagem comigo e fiquem ligados para as próximas aventuras desta caçadora de destinos. Caso tenham interesse em ver com mais detalhes toda a jornada, abaixo segue mais um vídeo do YouTube. Nele faço um tour completo pelo quarto do Hotel e conto algumas histórias curiosas e partiulares de Gante. Acompanhem!